A HISTÓRIA DO

A HISTÓRIA DO "REI" PELÉ

 

"Deus é brasileiro... melhor ainda, Ele é santista!"

 

No ano de 1956, um mineiro de Três Corações chamado Édson Arantes do Nascimento, de 15 anos de idade, foi trazido a Vila Belmiro pelas mãos de Valdemar de Brito.

Deste dia em diante, o futebol mundial nunca mais foi o mesmo...

O garoto, primeiramente apelidado de "Gasolina", foi considerado uma grande surpresa. Era espantoso o fato de, aos 15 anos de idade, o garoto já ter assinado um contrato com o Santos, bicampeão estadual, em documento datado de 8 de junho de 1956.

Três meses depois, no feriado de 7 de setembro do mesmo ano, ele estreou com a camisa do Alvinegro, contra o Corinthians de Santo André.

E aos 15 anos, 10 meses e 14 dias, Pelé fez seu primeiro gol na carreira profissional, e o primeiro com a camisa do Peixe. Ainda viriam outros 1280...

O Santos venceu o Corinthians de Santo André por 7 a 1 naquela tarde.

Pelé foi espetacular desde o começo de sua carreira. Não levou nem um ano para chegar a seleção. Foi convocado para jogar contra a Argentina, em 7 de julho de 1957.

Um ano depois já participava de sua primeira Copa do Mundo. O Brasil foi campeão mundial pela primeira vez, com seis gols de Pelé na competição. Na final da Copa, dia 29 de junho de 58, Pelé fez um dos gols mais bonitos da História do Futebol. Quem se esquece daquele "chapéu" do Rei em cima do zagueiro grandalhão sueco? Naquele dia, o mundo conhecia a futura Majestade do Esporte, ainda em idade juvenil.


A FORMA FÍSICA DE PELÉ

Pelé tinha um preparo físico invejável para qualquer jogador, mesmo nos dias de hoje. Ele jogava 60, 70 ou mais partidas por ano; apanhava dos zagueiros adversários em todos os jogos. Foram 20 anos correndo, driblando, pulando, chutando, numa maratona estressante pelo Santos, pela Seleção Brasileira e pelo Cosmos.

A partir destas informações, seria fácil concluir que um atleta que se submete a tal desgaste físico tenha passado muito tempo no Departamento Médico para se refazer das contusões. Porém, Pelé não parecia ser de carne e osso. Raramente se contundia. Foram pouquíssimos os jogos em que o "Rei" ficou de fora por razões médicas.

As duas contusões mais graves dele aconteceram nas Copas de 62 e 66. Em 62, uma distensão na virilha direita tirou Pelé da competição. Em 66, os zagueiros portugueses abusaram da violência sobre Pelé. Assim, ele se machucou, e não participou do resto do Mundial.

Suas contusões não vão muito além disso. Ele era um superatleta.

Pelé nunca treinou menos que seus companheiros. Mas a Natureza foi generosíssima com o "Rei". Ele corria 100 metros em 11 segundos, saltava 1,80 metros de altura, 6,50 metros de distância, e jogava muito bem qualquer outro esporte que exigisse coordenação.


A HISTÓRIA DO "REI" SE CONFUNDE COM A DO SANTOS F.C.

Na década de 60, o Santos Futebol Clube montou uma equipe considerada até hoje a melhor de todos os tempos. No elenco, existiam craques como Pepe, Mengálvio, Coutinho, Lima, Dorval, Gilmar, Dalmo, Calvet, etc.

Além de toda essa constelação de jogadores no time, havia ELE: Pelé.

Pelé foi o grande responsável por todas as gloriosas conquistas do Santos Futebol Clube. Não se pode negar a importância dos outros jogadores, mas é certo que se Pelé não tivesse sido santista talvez o time da Vila não tivesse conquistado tantos títulos pelo mundo.

Pelé admite que, quando criança, torcia para o Atlético Mineiro, clube onde seu pai, o "seu" Dondinho, jogou. No entanto, ao entrar pelos portões da Vila Belmiro, Pelé mudou de clube, e se tornou, não só um jogador, como um amante e torcedor do Santos Futebol Clube.

Pelé é um dos poucos casos em que a paixão por um clube superou a ganância. Assim que o mundo conheceu seu futebol, ele passou a receber diversas propostas de contrato de outras equipes. A maioria com cifras milionárias para a época. Mesmo assim, Pelé nunca abandonou o Santos, tornando-se não só um atleta do Peixe, mas também um ilustre santista de coração.

E foi assim, amando e jogando no Santos, que Pelé levou o time às principais conquistas de sua época. A mais significativa de todas foi o Bicampeonato Mundial Interclubes, em 1962 e 1963. Em 62, o Santos se qualificou a disputar o Campeonato Mundial após ter vencido a Taça Libertadores da América. Na final deste torneio, o Peixe enfrentou o Peñarol, do Uruguai. O Santos empatou por 3 a 3 na Vila Belmiro, resultado suficiente para garantir o Santos como Campeão da Taça Libertadores. Porém, o jogo foi cancelado, e uma nova partida foi marcada, em Buenos Aires, campo neutro. O Peixe passeou na Argentina e venceu fácil, 3 a 0, com 2 gols do "Rei" Pelé.

Assim, o Santos ganhou o direito de disputar o Campeonato Mundial Interclubes contra o Benfica. No primeiro jogo, no Maracanã, o Peixe venceu a equipe portuguesa por 3 a 2, também com 2 gols de Pelé. A decisão foi em Lisboa no dia 12 de outubro de 1962, no Estádio da Luz. Um dia para ficar na História. Mais uma vez, o Santos deu show, e goleou o Benfica por 5 a 2, com 3 gols de Pelé.

A cidade estava em festa para receber os campeões do mundo. Pelé, que na época já era reconhecido como o melhor do planeta, era o mais festejado pela galera.

Mas a alegria não parou por aí. No ano seguinte, em 63, o Santos, comandado por Pelé, chegaria ao Bicampeonato Mundial Interclubes.

Primeiro, o Peixe conquistou a Taça Libertadores, vencendo em Buenos Aires o Boca Juniors, da Argentina, por 2 a 1. Como de costume, Pelé deixou o seu nas redes.

Com isso, novamente o Santos ganhava o direito de disputar o Mundial. Desta vez, o Milan, da Itália, era o rival. O time italiano era formado por muito craques, como Maldini, Trappatoni e Amarildo.

No entanto, o Santos tinha Pelé & Cia.

No primeiro jogo, no Estádio San Siro, na Itália, o time foi derrotado por 4 a 2. Com isso, o Peixe precisava vencer o segundo jogo para provocar a terceira partida.

O segundo jogo foi no Maracanã. O estádio estava lotado. De repente o Santos entra em campo. Para surpresa e desespero dos milhares de torcedores, o camisa 10 não estava lá. Almir substituía o "Rei". Todos achavam que o título estava perdido.

No final do primeiro tempo, o Milan vencia por 2 a 0. No intervalo, um temporal caía no Maracanã. O campo ficou encharcado. Um imprevisto horrível para o Santos, já que a equipe era técnica e sua principal qualidade era o toque de bola. Estava quase tudo acabado. Quase... o Santos se superou, virando no segundo tempo o placar para 4 a 2, provocando a terceira partida.

O jogo decisivo também aconteceu no Maracanã. Empolgado, o Santos fez o espetáculo e venceu o Milan por 1 a 0. O Peixe era Bicampeão Mundial.


OS TÍTULOS CONQUISTADOS POR PELÉ

Pelé conquistou 59 campeonatos em 21 anos de carreira. Veja quais foram:

PELO SANTOS:

PELA SELEÇÃO BRASILEIRA:

PELA SELEÇÃO PAULISTA:

PELO COSMOS:

PELA SELEÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS:


OS RECORDES DE PELÉ

Com uma performance como a que Pelé teve, é claro que o rei bateu todos os recordes que pôde.

Confira a seguir alguns números da carreira do "Rei":

60 títulos.

1.279 gols (1091 pelo Santos).

11 vezes artilheiro do Campeonato Paulista.

Por 3 vezes rompe a barreira dos 100 gols em três temporadas.

Melhor média de gols por partida: em 1961 foram 111 gols em 75 jogos (1,48gols/jogo)

A DESPEDIDA DO "REI"

Pelé ajoelha-se no centro do campo, enquanto a torcida o aclama.

Uma decisão que a muitos parece inexplicável nos serve de referencial para conhecermos um pouco mais a fundo a alma desse genial ser humano: Pelé despediu-se da seleção brasileira três anos antes de abandonar a equipe que defendeu por mais de 18 anos, o Santos Futebol Clube. Pelé terminou sua carreira na seleção brasileira no histórico amistoso contra a Iugoslávia, em 18 de julho de 1971, em meio a histeria coletiva de uma nação que não saberia viver sem seu maior ídolo esportivo. Aos gritos de "Fica! Fica!" o "Rei" percorreria o Maracanã pela última vez com a camisa da seleção brasileira, balançando-a no ar encharcada de suor e lágrimas, num gesto de adeus.

Entretanto, apenas em 1974, na noite de 2 de outubro, o "atleta do século" deixaria a equipe da Vila Belmiro. A partida contra a Ponte Preta terminaria com a vitória do Santos por 2 a 0, com gols de Cláudio Adão e Brecha. Mas a página da história seria escrita aos 21 minutos de jogo, quando Pelé ajoelhou-se, inesperadamente, no centro do campo, abrindo os braços num gesto completo de quem reverenciava ao mundo que o acolheu e acolhia a reverência que, sabia, o mundo estava lhe prestando.

Pelé chora em sua despedida do Santos F. C.

O homem que tornou o futebol uma arte, e da maior qualidade estética, soluçava entre palavras de agradecimento. Os pedidos de perdão que escaparam de seus lábios transpareciam o sentimento de unidade que havia entre o esportista e o clube de seu coração. Pelé não apenas se despedia do Santos, desligava-se de uma extensão de sua alma. Só os corações dos torcedores santistas, então incapazes de distinguir a figura de seu maior ídolo do clube pelo qual torciam, podiam compreender a amplitude dos gestos emocionados do "Rei".

As palavras que o prórpio Pelé escreveu à apaixonada torcida santista transcrevem a sua grandeza interior: "Minha Gente, eu gostaria de agradecer, pessoalmente, a cada um de vocês, tudo o que me foi dado de carinho e incentivo durante os meus 18 anos de futebol. Tudo que procurei fazer foi dar o melhor de mim, para lhes proporcionar prazer e alegria. Se alguma vez lhes decepcionei perdoem-me. Eu também sou gente."

Pelé tinha, em acerto prévio com os dirigentes do clube, fechado contrato com o Cosmos, dos Estados Unidos, onde pretendia iniciar um trabalho pioneiro de divulgação do esporte naquele país. A transferência custou ao clube americano a inédita quantia de U$ 6 milhões, tendo sido a maior transação comercial no meio esportivo até então.

Abandonaria definitivamente o futebol no primeiro dia de outubro de 1977. O homem Pelé deixa para a eternidade o Mito Pelé, a história de um ser que talvez tenha determinado os limites máximos a que um atleta de futebol pode chegar, deixando no imaginário do mundo, do povo brasileiro e, especialmente da abençoada torcida santista, a impressão de algo que nenhuma palavra ainda pôde exprimir, algo mágico e irreal, como que se fosse possível enxergar a Deus.


A VIDA DE PELÉ NOS DIAS DE HOJE

Nos dias de hoje , Édson Arantes do Nascimento é um empresário bem-sucedido, com negócios que movimentam até 40 milhões de dólares ao ano.


FRASES SOBRE O "REI"

"Um jogador como Pelé só vai nascer daqui a mil anos. Preste atenção: eu não disse cem, mas mil anos!"

Sandor Kocsis, atacante húngaro da década de 50.

 

" - Como se soletra Pelé?

- Com as letras D-E-U-S!"

Diálogo imaginário do jornal The Sunday Times, da Inglaterra.

 

"Descrever o que foi Pelé é humanamente impossível. Foi a perfeição. Ele desequilibrou o mundo."

Gilmar dos Santos Neves, goleiro da Seleção nas décadas de 50 e 60.